Vacine-se

Raiva, fúria e desejo de vingança consomem demasiada energia e torna as pessoas cegas, apenas se prejudicando a si próprias. Que o mundo é tudo menos justo, que na vida facilmente se acumulam frustrações e sensações de insatisfação e se encontram situações que nunca deveriam existir, todos sabemos, mas cada um de nós deve ser parte da solução e não do problema. Senão de que valem os milhões de anos de evolução de nos conduziram de meros seres guiados pelo instinto a uma forma de vida inteligente e com vontade própria?
Zidane teve 18 anos de carreira enquanto atleta profissional e cedo ascendeu ao mais elevado nível de competição. No seu anunciado último jogo, num culminar perfeito de êxitos ao participar na final de um Campeonato do Mundo, porque supostamente ouviu uns insultos à sua família decide agredir um jogador da equipa adversária? Como jogador de futebol, não terá ele ouvido mais injúrias e linguagem de vão de escada que qualquer um? Um insulto à mãe e irmã de alguém só magoaria realmente se de facto quem insulta as conhecesse e soubesse algo de pessoal, mas tenho a certeza que Materazzi conhece tão bem a mãe e irmã de Zidane como eu. Zidane diz que não se arrepende e acho bem, porque eu também nunca me arrependo de nada – o que cada um decide está decidido, de acordo com o seu livre-arbítrio e bom senso – mas ele devia ter um treino mental que nunca o levasse a chegar àquele ponto.
A violência física só é justificável num contexto de auto-defesa e apenas na medida do indispensável. É tão fácil responder a um insulto e sair da situação de forma airosa, seja fazendo um comentário lateral ou indirecto que deixe o interlocutor confuso seja gozando com as palavras que ele utiliza, que só vem confirmar a minha teoria sobre a relação inversamente proporcional entre o QI e a queda para o desporto.

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