Tempo rápido, vida curta
Por vezes a sensação é que o tempo passa rápido demais. Na minha opinião para vivermos em plenitude o dia deveria ter no mínimo 40 horas. Já para não falar de mais dinheiro para gastar, mas esse é um assunto mais melindroso.O facto é não tendo escrito cá há algum tempo o país e o mundo parecem outros. Nas Europeias os socialistas obtiveram a mais elevada maioria de sempre, mas o cabeça de lista Sousa Franco perdeu a vida em plena campanha eleitoral, algo inédito que deixou o país estupefacto. As atenções viraram-se então para o Rock In Rio, espectáculo que contou com algumas celebridades de já longa data, como Sting, Peter Gabriel ou Metallica, algumas mais recentes como os Foo Fighters ou a Britney Spears. Penso que o facto de se convidar mais estas personalidades do passado tem a ver com o facto de a música já não ser o que era, com algumas honrosas excepções. Depois da explosão de criatividade que rolou entre os anos 50 e 80, passou-se por um período de revolução no início dos anos 90 com o grunge e a reinvenção do rock como um veículo de comunicação para uma geração que se sentia menosprezada, inútil e sem perspectivas. Depois da febre Nirvana, Pearl Jam, Soundgarden, entre outros, partiu-se para uma viagem musical em que se tornou mais difícil (e se calhar mais compensador) encontrar boas bandas. A música mainstream é decepcionantemente pobre com a MTV a passar hip hop ultrapassado com samples de músicas antigas. É tanta a falta de originalidade, que se vêem obrigados a ir buscar sons que foram sucessos há anos atrás. Mas felizmente tem havido excepções e bandas como Radiohead, Verve/Richard Ashcroft, Blur, Cold Play, Filter fazem-me acreditar que ainda há esperança.
Depois o Euro 2004. Num país onde o futebol é rei em cada café, em cada casa e até em cada local de trabalho, eu não sou grande apreciador de futebol. Os meus colegas masculinos vão falando nas novas contratações, discutindo lances e substituições e fico a ouvir as suas ideias. Eu tento entender essas conversas como algo para preencher um vazio de ideias, não como um assunto em si. Não passaria pela cabeça tentar saber o que o Pinto da Costa estava a pensar quando contratou os jogadores para a próxima época. Mas a realidade do país é esta e não se pode alterá-la, pelo menos a curto prazo, e por a única solução é a adaptação. Quanto ao Euro em si, foi um verdadeiro caso de 'eu sou o alfa e o ómega'. Literalmente, um início e final à grega. Com uma primeira decepção, a seguir um crescendo de emoções, como no concurso 'Quem Quer Ser Milionário', com festejos no final de cada jogo, como se o país inteiro tivesse ganho o totoloto (e que bom seria se tal acontecesse), e uma decepção no final. Mas este Euro 2004 teve um mérito inegável. Fomos elogiados por ter organizado o melhor Euro de sempre. Ficámos a gostar mais de nós próprios, foi como se estivéssemos a seguir um manual de auto-estima - concorremos e ganhamos a organização, e perante uma UEFA desconfiada, terminamos os estádios a tempo; participamos e apesar de não termos ganho a final, houve sobretudo um jogo, com a Inglaterra, em que se sentiu uma verdadeira união entre os jogadores, e também entre os jogadores e o público. Vai ser inesquecível aquela imagem dos barcos a seguirem o autocarro da selecção ao longo da Ponte Vasco da Gama. Provamos que quando queremos conseguimos ser tão bons ou melhores que franceses, alemães ou qualquer outro povo do mundo. E isso é de sobremaneira importante.
Finalmente a reviravolta no panorama político português. Durão Barroso faz o que todos os portugueses com bom senso e salário insuficiente deveriam fazer, emigrou! Pois sigamos o cherne! Jorge Sampaio viu-se com a maior batata quente da sua vida na mão e tomou a decisão mais cómoda e a meu ver mais acertada. Portugal tem tido governações algo controversas, com alguns pontos positivos mas muitos pontos negativos. Toda a gente sabe, ou devia saber, que o problema principal do país é a falta de uma vontade nacional comum de desenvolvimento do país. Há demasiada corrupção, amizades, cunhas, interesses, economia informal, trabalho precário, maus serviços públicos, péssimos exemplos da parte de políticos. Isto não ajuda um país a desenvolver-se. Apenas ajuda a alguns portugueses já 'desenvolvidos' a enriquecerem ainda mais.
E assim o tempo passa. Rápido. Prometo que vou tirar algum tempo para falar de mim e dos meus objectivos para a minha vida. Para ser muito concreto penso que não gozo muito a vida. Vivo pouco, talvez não exclusivamente por minha causa, mas posso, e vou, tentar mudar algumas coisas.
P.S.: Tenho sérias dúvidas que alguém sequer aceda a este blog, e também não o tenho publicitado, mas se alguém o lê, esteja à vontade para enviar um comentário ou um e-mail. É sempre bom saber que a nossa opinião é escutada.
