Coffee Break

And now for something completely different: A galardoada série Lost conta com um elenco de desconhecidos mas promissores actores entre os quais esta adorável preciosidade chamada Maggie Grace, com apenas 23 aninhos. Simplesmente não se consegue afastar o olhar...
A ofuscante beleza da eficiência
Algo que sempre me intrigou em algumas pessoas com quem tenho contactado ao longo da vida é um fenómeno que baptizei de ineficiência intelectual. Toda a gente conhece alguém que, perante um dado problema a resolver, dá voltas e voltas à questão, alude a tudo e mais alguma coisa excepto no que é necessário para resolver o problema. Na melhor das hipóteses, até chega à conclusão certa, mas perdeu imenso tempo à procura da solução nos locais mais improváveis. Ora, esta situação extrapolada para a vida académica ou laboral representa um incomensurável desperdício de energia, gera atritos no desenvolvimento das relações inter-pessoais e leva muitas vezes as pessoas a tomarem as decisões erradas.
Estou a pensar, por exemplo, nas mulheres maltratadas pelos maridos que teimam, contra todas as evidências, em considerar que a última vez que sofreram violência física foi mesmo a última. Ou então naquele colega de turma que nos pede ajuda para preencher uma forma verbal num exercício de línguas e olha para nós com um ar de total confusão, sem uma pista: “Será x, será y?” na ausência de um único resquício de raciocínio lógico. Estou a pensar no uso de cábulas, que só demonstra que a pessoa que as usa se define como um total falhanço, acabando por ser um reconhecimento da sua própria incapacidade. Que respeito têm essas pessoas por si próprias? NÃO estou a pensar no colega novo que tem mil e uma dúvidas e tenta obter o máximo de conhecimentos sobre a função que vai desempenhar, perguntando, às vezes desanimando mas logo voltando à carga. ESTOU a pensar no colega novo que depois de lhe ser mostrado vezes sem conta como uma determinada tarefa é realizada, esquece-se de tudo e no dia seguinte volta a questionar exactamente a mesma coisa. Estou a pensar em pessoas monótonas, repetitivas, tediosas até provocar sonolência, que necessitam de recorrer constantemente às mesmas frases feitas, às mesmas piadas gastas, como a vida tivesse de ser uma sucessão de acções robóticas e despidas de qualquer ponta de imaginação e criatividade. O filósofo Gurdjieff afirmava, de forma visionária, que se nós não nos formos lembrando a nós próprios de introduzir ideias novas e frescas no nosso dia-a-dia, tendo por fundo o nosso projecto de vida ideal, se fizermos apenas o que é esperado, acabamos por adoptar uma maneira de ser própria de robots. Acredito que ter objectivos na vida e persegui-los é condição sine qua non para sentirmos um mínimo de prazer em estar vivos.
Mas voltemos à questão do pensamento lógico, com um exemplo ilustrativo. Eu sei que se quiser ir de Porto a Lisboa posso tomar, por exemplo, a auto-estrada A1, ou se não quiser pagar portagens, sigo pela N1, se tiver disponibilidade a nível de tempo. Também sei que posso sair do Porto para Viana, viajar por Espanha, ou até pela Europa e, tomando o caminho certo, também chego a Lisboa. Dias ou semanas depois, é certo, mas chego. É a esta circulação fora dos trilhos a que me refiro. Quando detecto que uma pessoa não está a seguir uma linha clara e objectiva de ideias, ou então inventa, ou dá uma desculpa para a sua pobreza de atitude mental, fico a pensar: O tempo que esta pessoa deve ter perdido ao longo da vida com questões menores. É tempo que perde e faz os outros perder. A insegurança interior que deverá sentir, o nervosismo perante situações novas ou inesperadas. Como vivem? Quando se pensa em termos de empresa, é fácil de concluir o quão prejudicial esta postura se pode tornar. Falta organização, perdem-se sinergias essenciais num mundo tão competitivo como é o de hoje. Negligencia-se o essencial, valoriza-se o acessório. Pelo contrário, um bom raciocínio fascina-me, como que abre novos horizontes, inspira-me. A arrepiante simplicidade da eficiência ilumina o caminho a seguir, como as luzes de uma pista de aviação em noite cerrada.
A incessante capacidade de aprendizagem é talvez a mais importante característica dos seres humanos. Pena é que nem todos saibam aproveitá-la, mantendo uma visão curta do seu lugar do mundo. Menos concorrência para quem sabe o que faz na vida, dirão os cínicos. E talvez concorde.