Long Live the UK

My first post in English on this site stands on behalf of those who have deceased or got injured on the unbelievably coward attacks that took place in London last Thursday morning.
However, British character and posture shone like it always does, and by evening, people would get back home from work, using whatever means of transportation, with a sense of maturity that has the knowledge that what happened is circumscribed to that moment in time and place, and that no reason should distract or refrain anyone from moving ahead with their lives.
I've been a long time admirer of the British culture, being it their fabulously intuitive language, their tradition in democracy, perhaps the oldest in the modern world, their music, their known sense of humour, intelligent and sarcastic, their monarchy and their wealth of historical facts. Also, their resilience; Londoners invented the expression 'business as usual' while having Germans bombing the city in WWII. Surely they may not be masters in the new technologies or car manufacture, but their humanity, empathy and warmth is evident to anyone that gets in contact with them.
Portuguese emigration in England rose to the hundreds of thousands in the last few years, and generally our people is welcomed there and recognized as a valuable working force. Soccer coach Mourinho is more of an exception than the rule, but it’s a case of astonishing success for a Portuguese working abroad.
As for music, I have to make a statement about the remarkable originality and meaningfulness contained in the music made in the UK. Basically all modern pop and rock music around the world has British influence. The messages contained in those four or five minute songs are understood worldwide, from Chile to Japan, where we can find a huge amount of fans and listeners of bands and singers either retired or active. As for me, I could make an exhaustive list of all the bands and songs that changed somewhat my point of view over things, revealing a new perspective of situations apparently out of my control and showing that the humanity I talked about is present in the lyrics that are sung (even the most dark or bizarre ones), the sounds that are made, the motivation and energy while singing and playing them. Since I heard Blondie’s ‘Heart Of Glass’ at age 4 on the speakers of a beach town by the sea, I knew music would have a very important part in my life. Over time, music has been a source of inspiration, an off-the-wall motivator as well as a relaxing and anti-dramatizing mind weapon. Overall you can say it contributed to my personal growth. Someday I’ll dedicate some time over this subject on the blog.
For the foreign readers I created the blog
cause/effect that has already been filled with the incredible amount of two posts… I stake here my promise that I will post some thoughts more often. Nevertheless, it’s possible that in the future some posts in English will be found here too. See you!
Hats Off To Sócrates
Quando uma família sente dificuldades de ordem financeira, procura analisar a situação de uma forma instintiva. De lado das receitas, não existem grandes dúvidas, dado que geralmente as fontes de rendimento são facilmente identificáveis: Rendimentos do trabalho por conta própria ou por conta de outrem, alguns investimentos ou rendas de imóveis. Quanto às despesas, essas são inúmeras e a velha questão impõe-se:
Afinal, para onde vai o dinheiro?
Já existiram políticos e comentadores que compararam de uma forma muito simples mas verdadeira o Estado a um orçamento familiar (ou ao de uma empresa), em que há necessidade de aumentar receita e/ou controlar a despesa. Outros até sugeriram soluções para refrear o défice, e outros, quando em cargos governativos, tomaram medidas meramente paliativas, sem se dirigirem ao fundo da questão, apenas arranhando a superfície do problema, na esperança vã que uma incerta retoma aliviasse as contas do Estado, mantendo oculto o insustentável peso do sistema público na despesa, apenas adiando o inevitável até se poder chegar a um ponto de não retorno. Ora, um doente com cancro não vai seguramente melhorar através da administração de aspirina.
Em Portugal há o hábito de falar muito, apresentar muitas ideias e sugestões. Mesmo quando um determinado partido chega ao poder, os seus representantes continuam a falar muito e a apresentar muitas ideias e sugestões. Pois quanto mais se fala, mas se suspeita que falta a coragem de levar as palavras aos actos. Bem mais grave que o défice orçamental tem sido o défice de coragem dos governantes. Todos e cada um deles sabiam o que se passava. Tudo o que fizeram foi deixar incólume a intocável estrutura pública ou mesmo agravar a sua obesidade mórbida, apresentando depois a factura aos contribuintes.
Sabia-se que o défice orçamental ainda não estava totalmente dominado, que se tinha composto a contabilidade pública com algumas receitas extraordinárias para Bruxelas não franzir o sobrolho e toda esta problemática tinha sido um pouco adormecida. Com a entrada do novo Governo, resolveu-se realizar um estudo para fazer um ponto da situação de forma a conceber um plano para conter o défice de 2005 nos 3%. Eis que o quadro se revela bem negro: Um défice previsto de aproximadamente 7%, num cenário de ausência de medidas correctivas.
Uma sensação de déjà vu percorre os portugueses à medida que Constâncio expõe as suas conclusões, só que o discurso político já não se resume à tão prosaica tanga, pois parece que até essa nos foi tirada. A imperativa análise aprofundada às contas públicas revelou as camadas adiposas do grande polvo estatal. A Sócrates apresentou-se um dilema do tamanho do país: Assumiria as suas próprias promessas, não aumentando os impostos, o que tornaria praticamente inviável um saneamento das contas públicas a médio prazo, ou tomaria a responsabilidade de tomar as difíceis mas necessárias decisões para devolver ao Estado a sua credibilidade perante os agentes económicos.
Escolheu, de forma rápida e segura, uma solução integrada de aumento de receita e redução de despesa, que poderia ser ainda mais completa, mas é comprovadamente um conjunto de medidas bem mais fiável que a não-solução, por efémera, da correcção do défice por receitas extraordinárias. O país ficou atónito ao tomar conhecimento concreto das incontáveis regalias do sector público, tão bem camufladas que sempre passavam despercebidas. Reformas antecipadas, iguais ao vencimento e em idade inferior, regime especial de cuidados de saúde, descontos para a Segurança Social inferiores ao sector privado, reformas acumuláveis com o vencimento, promoções automáticas e independentes do mérito, enfim, todo um somatório de benesses de deixa boquiaberto o comum dos mortais (leia-se trabalhador dependente). Mas Sócrates não pensou duas vezes em corrigir estas situações de clara discriminação, mesmo a nível da classe política, incluíndo ele próprio (!), ao eliminar a subvenção vitalícia atribuída aos deputados e membro do governo com mais de 12 anos de serviço.
As reacções do sector público às medidas tomadas, sobretudo no diz respeito ao aumento da idade da reforma, não se fizeram esperar. Enfermeiros, professores e polícia argumentam que a sua profissão não é compatível com uma idade de reforma tão elevada como os 65 anos. Provavelmente operários do sector têxtil, do calçado ou da metalomecânica têm uma vida muito mais facilitada, dada a ‘leveza’ da sua função. Talvez uma funcionária de limpeza com 65 anos tenha possibilidades de exercer a sua profissão com muito mais vigor que um GNR. Obviamente são argumentos que não colhem, para não lhes chamar um insulto aos trabalhadores com funções de maior desgaste físico, mas a origem do problema está, e esteve, na criação destes regimes diferenciados, algo que nunca deveria ter acontecido. A questão é que todas estas regalias não implicaram, de uma forma generalizada, um aumento na produtividade e na qualidade do serviço público prestado. Talvez tenha sido até contraproducente. Todavia, poucos frutos se colhem olhando para o passado.
Por muito surpreendentes e positivas que estas medidas sejam, nada se fará sem uma autêntica recuperação económica. Nenhum governo se poderá substituir ao sector privado, e Sócrates não se deveria atrever a prometer 150 000 postos de trabalho. Apesar de a cultura do empresário Ferrari pertencer ao passado, e as inúmeras falências que têm vindo a acontecer servirem um bom objectivo, o de sanear a economia de empresas de fraco valor acrescentado, a cultura empresarial actual, salvo honrosas excepções, ainda segue um modelo de gestão algo ultrapassado, ignorando as novas tecnologias, novos métodos de gestão, processos produtivos mais eficientes e automatizados, novos mercados. Afortunadamente, as empresas que apostam no seu futuro de forma sustentada e sem medo do risco, risco calculado entenda-se, são cada em cada vez maior número, e poderiam ser ainda mais se a banca perdesse um pouco de vista o seu conforto financeiro e apostasse em candidatos a empresários com negócios já idealizados, a quem apenas falta o capital. Isto porque em Portugal não existem sociedades de capital de risco, e qualquer pessoa que não encontre apoio para um negócio a sério (e não apenas um minúsculo quiosque ou fabrico manual de malhas em crochet) pode muito bem ficar com a sua ideia brilhante na prateleira, para mais tarde recordar. Mas para quem pensa que Portugal não tem pessoas com novas ideias para negócios, sugiro que visite o site
Concurso Nacional de Empreendedorismo para ter a noção de toda a animação que está a decorrer em torno de um concurso para novos empreendedores. A audácia de acreditar em nós próprios, não importando as circunstâncias, é a rampa de lançamento para a vitória.